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23/09/2005 20:49
SERVIDORES MUNICIPAIS APROVAM VALE ALIMENTAÇÃO
A administração municipal promoveu uma consulta para saber a avaliação dos servidores sobre a implantação do Cartão Alimentação Visa Vale em substituição ao sistema de distribuição direta de cestas básicas.
A modificação foi uma iniciativa da prefeita Mirian Bruno.
Ela considerava a distribuição de cestas básicas em locais públicos um desrespeito aos servidores que se submetiam a uma exposição desnecessária, além de terem problemas para transportá-las, não terem opção sobre os produtos nelas contidos e nunca saberem o dia certo para recebê-las.
A prefeita, na época, foi criticada por tomar a medida sem muitas explicações. Em entrevista concedida à Gazeta no início de maio (leia reprodução abaixo) ela disse que implantou o sistema para que os servidores primeiro o conhecessem na prática para, depois, com maior conhecimento de causa, escolherem o melhor.
A consulta aos servidores foi aberta numa urna instalada no Departamento de Pessoal. A cédula de votação indagava se o Vale Visa era melhor que a cesta básica e o interessado assinalava sim ou não. A votação não foi obrigatória. Muitos servidores que não quiseram votar disseram que tanto faz. Dos cerca de 300 funcionários, 130 depositaram suas preferências nas urnas. O sim foi escolhido por 107 servidores (82,3% dos votantes) e o não por apenas 23 (17,7%).
Com esta expressiva aprovação, o Visa Vale será mantido.
(entrevista concedida por Mirian Bruno à Gazeta em maio de 2005)
Porque a senhora decidiu trocar a distribuição de cestas básicas pelo cartão alimentação?
O Vale Visa, veio através de uma conversa nossa com a gerência do Banco do Brasil porque já tinha a intenção de dar esse Vale aos funcionários. Eu achava uma cena incômoda os funcionários recebendo suas cestas básicas na rua principal. O funcionário tem que ter dignidade e tem de ser valorizado nas pequenas coisas. O mais humilde que não tinha condução, precisava colocar a cesta nas costas para levá-la até suas casas. Às vezes alugavam táxis para transportar essas cestas. Nós estamos no século XXI, numa situação de progresso e isso inclui a valorização do funcionário. A informatização está aí e é uma maneira de modernizar esse serviço. Com o novo sistema, você coloca o crédito todo mês, e o funcionário passou a ter um dia certo para receber esse valor. Com a cesta isso não acontecia. Numa época era recebida no começo do mês, em outra época na metade do mês, enfim, não tinha uma data de referência. Com o cartão, esses infortúnios acabaram. Foi um ganho para o funcionário.
Foi difícil operacionalizar esse sistema?
A implantação do cartão deu trabalho. Tivemos de acionar Brasília, nos debruçamos vários dias com o Departamento de Pessoal para tratar do assunto. Como toda mudança gera uma série de expectativas, acabei recebendo críticas, mas no fim tudo culminou para o bem de todos. A maioria dos funcionários aceitou a mudança numa boa e acho que tivemos mais ganhos do que perdas. Valeu a pena e o cartão já é uma realidade no município.
Ele não é novidade em municípios de maior porte e é uma experiência que deu certo. Estou realizando um sonho de dar mais dignidade e opção ao servidor municipal com esse cartão, podendo comprar onde quiser e aquilo que lhe for mais necessário.
Houveram muitas dúvidas por parte dos servidores?
Nós fomos entregando os cartões pessoalmente para tentar esclarecer algumas dúvidas. Uma das perguntas foi se com o cartão poderiam comprar onde quisessem. Expliquei que podiam, mas o ideal era valorizar o comércio de nossa cidade. Mas o dinheiro é dele e ele gasta como e onde ele quiser.
Outra colocação que me fizeram foi de que alguns funcionários poderiam, ao invés de gastar com alimento, comprar bebidas ou outros produtos. Expliquei que cada um é responsável por seus atos. Salvo situações extremas, onde viermos a notar que o funcionário não se adequou ao cartão alimentação, vamos retirar o cartão dele e voltar a oferecer-lhe a cesta básica.
Então tudo é passível de se resolver.
Algumas críticas à senhora vêm no sentido de que a mudança foi imposta, sem escutar os servidores ...
Daqui a mais ou menos três meses nós vamos fazer uma avaliação em todos os setores da prefeitura. Nela, o funcionário poderá emitir sua opinião sobre se o cartão está sendo péssimo ou ótimo. Se o péssimo ganhar, voltaremos à cesta básica. Se o ótimo prevalecer, vamos manter o Visa Vale.
Isso mostra que tudo o que fazemos é democrático.
Consideramos que seria válido implantarmos o cartão para os servidores o conhecerem na prática, evitando tumultos gerados pelo desconhecimento de sua aplicação. É melhor você fazer e, se perceber que a medida não foi bem aceita, voltar atrás e restabelecer o sistema antigo. Não é uma medida imposta porque ela sempre foi passível de ser revista após consultarmos os servidores. Dentro de uns três meses saberemos se foi boa ou não.
enviada por Gazeta de Bananal
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