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30/12/2005 08:33

SOLENIDADE DO IPHAN EM BRASÍLIA PREMIA COMISSÃO PRÓ-REFORMA

Numa solenidade de gala promovida pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi entregue na noite do dia 17 de novembro, na sala Villa Lobos do Teatro Nacional em Brasília, o “Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade” à Comissão Pró-Reforma do Solar Aguiar Valim na categoria “Apoio Institucional e Financeiro” pelos quatro anos de trabalho voluntário visando a recuperação do Sobrado e a conseqüente revalorização do centro da cidade.

A premiação, constituída de um troféu, um certificado e um incentivo em dinheiro no valor de R$ 10 mil, foi centrada na pessoa do Sr. Luiz Gonzaga da Silva, Sr. Lulu, por ter ficado à frente das obras de recuperação durante o período analisado pelo concurso, entre 2001 e 2004.

O “Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade” é oferecido em reconhecimento a ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro que, em razão da sua originalidade, vulto ou caráter exemplar, façam-se dignas de registro, divulgação e reconhecimento público.

Em 2005 foram inscritas 155 ações, sendo que apenas 69 foram pré-selecionadas e apenas 17 premiadas por categoria.

Em Brasília para receber a premiação, o Sr. Lulu foi acompanhado de sua esposa, Dona Lourdinha, da arquiteta do Condephaat Silvana Sousa Nilo Bahia Diniz (que elaborou um detalhado relatório da restauração que serviu de parâmetro para divulgação da obra junto ao Iphan), e da advogada do IBAMA, Dra. Beatriz Carneiro e seu marido. Eles também foram prestigiados pela presença do casal Flávio e Luciana Beck Ramos que atualmente residem na capital federal por ser ele alto funcionário de carreira do Banco do Brasil. Luciana é filha do casal Luiz Carlos e Dirce Beck Ramos.

Ao receber a premiação, Sr. Lulu enalteceu em seu discurso o empenho de todos os integrantes da Comissão, sempre incansáveis na luta pela recuperação do prédio, assim como a toda a comunidade bananalense que abraçou - e continua abraçando - a causa de salvar a mais imponente construção histórica da cidade.

No discurso que preparou para ser lido diante do representante do Ministro da Cultura Gilberto Gil e do Presidente do Iphan Antonio Augusto Arantes Neto, Sr. Lulu relatou a grande alegria com que recebeu a noticia do prêmio: “É uma honra para mim e para toda a sociedade bananalense, que nele viu o reconhecimento ao esforço, não só dos moradores envolvidos com a reforma, mas de todo um conjunto de pessoas que viabilizou de muitas formas sua realização. Este prêmio foi dado a uma sociedade que entendeu a importância de se preservar as raízes e manter os laços com a história de seu povo.”

Após discorrer sobre a criação da Comissão pró-reforma em 2001 e contar um pouco da história do prédio recuperado, Sr. Lulu relatou as péssimas condições em que ele se encontrava: “Em que pese sua importância histórica e posição central na cidade, o velho casarão havia se transformado, nos últimos tempos, num depósito de sucatas sem utilidades. Sua aparência externa era a de uma tapera em ruínas. Internamente, os cupins transformavam vigas e pilares seculares em fragilidades ocas. As paredes, com um metro de espessura, entrelaçadas com taipa, capim e barro, haviam se convertido em verdadeiros tecidos rendados. O telhado, reformado já há algum tempo, apresentava inúmeras goteiras, causando umidade que abalava as estruturas de madeiras e paredes de adobe e pau a pique. Isto sem contar as inúmeras demãos de tinta que cobriam as pinturas seculares de Villaronga. Seu destino mais provável seria o desaparecimento, tal como ocorreu com outros exemplares preciosos da nossa arquitetura como a Fazenda Rialto e o Palacete ... Estávamos perdendo irremediavelmente os testemunhos do esplendor histórico de Bananal. De uma história que pertencia a todos.”

Após enaltecer os notáveis trabalhos de pedreiros e marceneiros que supriram com louvor a carência de profissionais voltados para este tipo de missão, Sr. Lulu mostrou emoção ao falar da participação da comunidade e as várias atividades promovidas para a obtenção de recursos: “foram muitas as pessoas e entidades que se envolveram, com diversas formas de apoio e estímulo ... encontrávamos pessoas que diziam não ter condições de ajudar, mas expressavam sua solidariedade, desejavam votos de sucesso e contribuíam desta forma especial. Nestes momentos, me dava conta do valor do trabalho que realizávamos”.

Ao findar o discurso preparado, Sr. Lulu agradeceu aos familiares e relatou que, como presidente da Comissão, procurou desempenhar as atribuições no limite de suas forças e concluiu: “A obra não está acabada. Falta ainda muito a ser feito. Faço questão de ressaltar que este prêmio será revertido na forma de materiais necessários para sua continuidade. Espero com isso estimular o prosseguimento de uma empreitada que teve amplos sentidos para nossa pequena e ativa coletividade. E que vão além das diferenças políticas existentes entre os cidadãos de Bananal.”


Junto à sua esposa, Dona Lourdinha, Sr. Lulu exibe o troféu e o certificado conferidos pelo Iphan às obras no Solar.

enviada por Gazeta de Bananal






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